Amor compartilhado fez história na luta contra o câncer infantojuvenil no Brasil

ter, 12/06/2018 - 09:04

Amor compartilhado fez história na luta contra o câncer infantojuvenil no Brasil

Há quarenta e nove anos, quando começaram a namorar, Sonia Neves e Francisco Neves não podiam imaginar que o fruto desse amor resultaria na origem da Casa Ronald McDonald do Rio de Janeiro. A vinda do projeto para a cidade, em 1994, só foi possível porque ambos decidiram transformar o sofrimento pessoal em uma causa.

Sonia Neves e Chico Neves.

Sonia e Francisco tiveram dois filhos: Carlos e Marcos. Em 1989, o caçula Marquinhos, com 8 anos de idade, foi diagnosticado com Leucemia Linfóide Aguda. Depois de um longo período de tratamento em alguns hospitais do Rio de Janeiro, os médicos disseram que a única possibilidade de cura seria um tipo de transplante que ainda não existia no Brasil. Com a ajuda financeira de amigos, a família foi para Nova York, lá tiveram a oportunidade de ficar numa Casa Ronald McDonald, enquanto o filho fazia o tratamento.

Encontraram um lugar acolhedor, hospedagem gratuita, alimentação e todo o suporte junto a profissionais, além de outros pais na mesma situação. Infelizmente, Marquinhos não sobreviveu à doença. Na volta ao Brasil, em 1990,Sonia e Francisco tornaram-se voluntários no Inca, para ajudar crianças com câncer. Foi lá que conheceram o presidente do McDonalds, contaram sobre a experiência em Nova York, e perguntaram por que não havia uma Casa Ronald McDonald no Brasil. Assim começou uma das maiores mobilizações pela causa do câncer no país.

“Ter trazido para o Brasil a Casa Ronald McDonald fortaleceu o amor que sentimos um pelo outro, além de nos tornar mais sensíveis à causa. A Casa tem um significado muito grande para nós. Representa a continuação do amor ao nosso Marquinhos e que agora dividimos com todas as crianças e adolescentes que aqui se hospedam”, conta Sonia, presidente voluntária do projeto. Atualmente, Francisco é o superintendente do Instituto Ronald McDonald, que coordena todas as Casas Ronald McDonald do Brasil.

Apesar dos 42 anos de casados, o casal se intitula como eternos namorados e dá a receita para quem quer construir uma união sólida como a deles: “além do amor, é necessário confiança e respeito. Os momentos difíceis devem servir de aprendizado e fortalecimento do casal”, ensina Sonia.

Todo esse amor também é aplicado na Casa Ronald McDonald. Desde a sua fundação, a instituição já atendeu e melhorou a qualidade de vida de mais de 3.000 crianças e adolescentes, e contribuiu para o aumento do í­ndice de cura do câncer infantojuvenil. Todo trabalho é considerado de utilidade pública porque permite a liberação de leitos em hospitais para pacientes que realmente necessitem de internação. A Casa também contribui para a redução de infecções hospitalares e diminui a taxa de abandono do tratamento - muitas vezes, interrompido por falta de recursos da famí­lia para locomoção até o hospital.

 

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