Uma história de batalhas

sex, 12/05/2017 - 00:00
Emylle era muito pequena quando conheceu a Casa Ronald pela primeira vez. Apesar da pouca idade, a menina ainda se recorda de alguns momentos, guardando na memória o carinho e o afeto que recebeu enquanto esteve aqui. Diagnosticada novamente com câncer, Emylle e sua mãe retornaram à Instituição na tentativa de conseguirem o mesmo apoio que receberam antes. “Vim para cá porque se aqui deu certo da outra vez... porque não tentar de novo?!”, Emylle.
 
 “A forma como o problema é tratado aqui, o jeito que as pessoas nos tratam, isso gera uma segurança para nós”, Marilene, mãe de Emylle.
 
Quando tinha apenas dois anos, Marilene, mãe de Emylle, começou a notar alguns problemas na saúde da filha - uma febre que não passava, o peso que não aumentava - e assim começou sua luta em busca de respostas que pareciam não ter solução. Na época, Marilene e seu marido tinham poucas informações sobre a doença e o tratamento, e tiveram uma grande mudança de rotina desde que encontraram um diagnóstico, com isso, foram encaminhados ao INCA – Instituto Nacional do Câncer.
 
O Casal morava em Volta Redonda e estava apreensivo com as possibilidades que teriam. O tratamento oferecido era no Rio de Janeiro, além de ser longe de sua residência, o percurso exigia cuidados e restrições. A hipótese de ficar em um hotel também foi excluída pelos próprios médicos, devido ao risco de contaminação. “Éramos novos, tínhamos dificuldade de entender as coisas, vínhamos de fora e não tínhamos acesso a nada, escutávamos as notícias no jornal e estávamos preocupados” Marilene.
 
Foi em uma conversa informal no hospital, que Marilene ficou sabendo sobre a Casa Ronald, recomendada por uma mãe que estava na Instituição. Encaminhada pelo INCA, a família encontrou a solução que precisava. “Aqui você sai da Casa e chega com tranquilidade no hospital, na volta tem uma pessoa te esperando, a gente vê reportagem, fica preocupado, é uma preocupação a menos, tira um peso a menos da nossa cabeça”, Marilene.
 
Em março de 2001, aos três anos de idade, Emylle e sua mãe chegaram na Casa Ronald Rio.  Foi um ano e meio de tratamento e de permanência na Instituição. Emylle diz não se esquecer do amor que sentiu das pessoas e a forma como foi tratada, incluindo sua festinha de quatro anos que foi realizada pelas voluntárias que aqui trabalhavam. A menina diz ainda guardar as fotos, e revela que gostava de estar aqui. “Muitas mães não sabem o que fazer, mas elas procuram e acham, como foi o meu caso e de muita gente aqui. Existe um jeito e uma solução para tudo, e estar aqui foi uma oportunidade para encontrar soluções”, Marielene.
 
Hoje, aos 19 anos, Emylle é uma garota simpática e muito inteligente, passou duas vezes para o vestibular de medicina e agora tenta conciliar o estudo com a busca pelo tratamento da doença, dizendo-se determinada a concluir os estudos. Com ótimas notas no vestibular, a garota está matriculada em uma Universidade em São João, Minas Gerais, onde sua família vive atualmente e conseguiu uma forma de obter aulas online enquanto ela realiza o tratamento no Rio de Janeiro.
 
Emylle e sua mãe estão de volta à Casa Ronald McDonald-RJ, aproximadamente, quinze anos depois. Recordam-se da antiga estrutura, da boa vontade e do carinho das pessoas que permanecem no local e fazem toda a diferença. Disseram que apesar de não expressarem com a mesma frequência, a Casa é um lugar em que se sentem amadas e acolhidas. “Reconheço de coração, que é algo de boa vontade de quem pensa e de quem age. A gente não tem o que reclamar, porque quando você ganha e recebe algo de coração, os pensamentos bons superaram os ruins...”, Marilene.
 
A duas agradecem a presença dos voluntários, dizendo que nos dias de hoje, em que a maioria das pessoas fazem tudo para prejudicar os outros, encontrar pessoas que estão aqui por um por uma luta e um propósito, gera um sentimento de gratidão enorme, e que ter pessoas boas por perto é o suficiente para sentirem-se melhor.
 
Marilene relembra ainda a importância das atividades voltadas para as mães. “É essencial, pois quando você está nessa situação, você pensa nas possibilidades ruins que podem acontecer, e quando você pratica uma atividade diferente da sua rotina, você tira pensamentos negativos da mente e faz uma arte, uma forma de terapia”, Marilene. E termina fazendo um agradecimento emocionante:
 
Obrigada pela boa vontade da Instituição com relação ao ser humano. Tudo é feito visando um ambiente agradável, desde quando chegamos até irmos embora, e isso não tem preço. É como se fossemos uma visita, que quando alguém vai na sua casa você prepara com maior apreço para receber aquelas pessoas da melhor maneira, e deixar tudo agradável. Aqui na Casa Ronald parece que está tudo sempre agradável para a hora que a gente chegar, tudo sempre preparado para que sejamos muito bem recebidos”, Marilene.
 
Emylle e Marilene nos mostraram suas lutas, graças recebidas e a importância de manter os pensamentos positivos, apesar das circunstancias. Segundo elas, a cabeça é tudo, e acreditando, as soluções dos problemas chegam! Elas agradecem a colaboração da Casa Ronald por proporcionar formas de manter esse todo o equilíbrio que encontraram na difícil fase da vida.
 
A jovem Emylle
 
Emylle e sua mãe, Marilene
 
 

Comentar